segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O rio do Avial

O reflexo perturbante nas águas cristalinas. O brilho resplandecente de uma natureza viva, verde, vislumbrante. Tudo era perfeito. Apenas o correr do leito soa no ouvido atento que se deixa levar até ao mar e o perfume das pétalas que rebenta de mansinho sem destruir a melodia da água, que corre por entre minhas mãos refrescadas, naquele doce sabor de Verão.
Que maravilha! Que doce alegria brilhava nos olhos daquelas crianças que se jogavam em gritos para as águas do Avial. Seus pais, conhecidos do dia-a-dia, pareciam esquecidos dos problemas do quotidiano, enquanto repicavam as malhas ou viravam o churrasco nas brasas entre as discussões da melhor contratação para o Benfica, o Porto ou o Sporting. As mães das crianças, um olho no rio e outro no farnel, preparavam cuidadosamente os mantimentos para saciar os seus rebentos que pareciam nunca esgotar suas forças.


Naquela tarde, tudo estava diferente. Parecia mesmo que nascera um novo mundo. As brigas, intrigas, chantagens, insinuações e todas as outras infelicidades não conseguiam sobreviver neste ambiente. A força das águas não deixava que outra música tocasse senão a do conforto e do sorriso infantil.
            A prática da pesca era outra forma de ocupar o tempo de férias e, como não passa despercebida nestas andanças, a discussão acesa dos centímetros dos peixes, que cada uma já tinha conseguido, reinava como temática do princípio ao fim da pescaria. Ninguém se zangava! Ninguém se irritava, mas também jamais algum dos pescadores se despedia sem fazer uma omeleta com alguns dos seus peixes para toda a gente do rio que ia fornecendo o engodo para atrair o peixe.
            Aquele rio era uma só família, um só grupo, um conjunto de experiências divinas. Um ritual de agradecimento à mãe natureza pela vida.
- Mariana! Ó Mariana!
- Estou aqui, mãe. Estava a contar às minhas amigas o sonho que tive no outro dia com a praia fluvial. Já pensaram se o rio fosse assim?! Até podíamos fazer um piquenique e convidar as nossas colegas da Escola.
 (in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe)

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